Do lixo ao luxo

Do lixo ao luxo

Do lixo ao luxo

Por Oscar Neto
Fotos arquivo pessoal

O artesanato é uma manifestação artística tão dinâmica e inovadora, que acaba por surgir nos lugares mais distintos e sob as condições mais peculiares. No extremo Sul do Brasil, um grupo de mulheres conhecido como Redeiras produz artigos de moda a partir dos restos de peixes e, principalmente, com redes de pesca – daí a conexão com o nome. A turma, que já confeccionava peças antes de integrar o projeto, hoje possui coleções completas de assessórios, comercializa suas mercadorias em sete estados brasileiros e se prepara para clientes internacionais por meio da internet.













Atualmente, grupo completo conta com 11 mulheres artesãs

O grupo Redeiras são 11 mulheres pescadoras, filhas ou esposas dos pescadores da colônia São Pedro – Z-3, localizada no município de Pelotas (RS), na região da Costa Doce. Essas mulheres descobriram uma outra maneira de aproveitar os peixes e as redes utilizadas pela pesca na Laguna dos Patos, lagoa que é a fonte do sustento dos moradores locais. A fórmula foi transformar escamas, couro e fibras em objetos de desejo para grande parte do público feminino. São bolsas, necessaires, carteiras, mochilas, chaveiros, tiaras, chapéus, echarpes e até biojoias, tudo proveniente de sobras que teriam o lixo como destino.

O design e o acabamento das peças fabricadas realmente surpreendem pela delicadeza, beleza e perfeição. Para confeccionar os artigos, as redes de pesca são cortadas em fios e trabalhadas em crochê ou no tear manual. Já para o acabamento, as artesãs aplicam detalhes ornamentais como náilon e metal.

A história do Redeiras representa a importância do artesanato, tanto para aqueles que dele sobrevivem, como para o desenvolvimento socioeconômico de uma região. “O grupo já se reunia para confeccionar artesanato antes de formar o projeto propriamente dito. Cada uma criava sua arte, mas a partir de 2004 a coisa tomou um rumo mais sério”, conta Karine Portela Soares, representante do grupo. Neste ano, apoios importantes vindos da prefeitura da cidade, da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e de outras instituições proporcionaram às integrantes oportunidades de ampliação do negócio, com palestras, cursos e oportunidades de comercializar os produtos em feiras.

Brinco e pulseira feitos com escamas de peixes

Desde então, o negócio só prosperou. Em 2008, o Sebrae-RS incluiu o grupo Redeiras no projeto Artesanato Mar de Dentro, que visa o desenvolvimento das artes manuais na região Sul do estado e envolve 25 municípios. “Essa inclusão foi proporcionada pela gestora Jussara Argoud e possibilitou ao grupo desenvolver coleções assinadas pela designer Karine Faccin, além de propiciar acesso ao mercado”, explica Karine.

O bacana disso tudo é que, além de reciclar o que seria lixo, as artesãs participantes do projeto conseguem, com a comercialização de suas criações, uma fonte de renda extra para suas famílias, que detêm um baixo poder aquisitivo.

Atualmente, o Redeiras tem seus produtos em 19 lojas, distribuídas em nove cidades de sete Estados brasileiros. Se elas pensam em exportar? Essa é uma ideia muito próxima! Por meio de uma empresa dedicada ao comércio internacional de artesanato, as peças fabricadas pelas mulheres serão vendidas para diversos países por meio do seu site.


Bolsas são confeccionadas com redes de pesca



A parte financeira é organizada por uma planilha de custos detalhada, que levanta as despesas e o retorno de cada produto. A matéria-prima usada nas confecções é comprada com o dinheiro do caixa, que também é utilizado para bancar embalagens e demais despesas, como a participação em eventos. As artesãs recebem o valor correspondente a sua mão de obra e os produtos levam o nome da coleção.



O chapéu é feito com redes de camarão e
trançadas em crochê

Conheça mais sobre o Redeiras e encante-se com os produtos confeccionados aqui:
www.redeiras.com.br.

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Do lixo ao luxo

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Por Oscar Neto
Fotos arquivo pessoal

O artesanato é uma manifestação artística tão dinâmica e inovadora, que acaba por surgir nos lugares mais distintos e sob as condições mais peculiares. No extremo Sul do Brasil, um grupo de mulheres conhecido como Redeiras produz artigos de moda a partir dos restos de peixes e, principalmente, com redes de pesca – daí a conexão com o nome. A turma, que já confeccionava peças antes de integrar o projeto, hoje possui coleções completas de assessórios, comercializa suas mercadorias em sete estados brasileiros e se prepara para clientes internacionais por meio da internet.













Atualmente, grupo completo conta com 11 mulheres artesãs

O grupo Redeiras são 11 mulheres pescadoras, filhas ou esposas dos pescadores da colônia São Pedro – Z-3, localizada no município de Pelotas (RS), na região da Costa Doce. Essas mulheres descobriram uma outra maneira de aproveitar os peixes e as redes utilizadas pela pesca na Laguna dos Patos, lagoa que é a fonte do sustento dos moradores locais. A fórmula foi transformar escamas, couro e fibras em objetos de desejo para grande parte do público feminino. São bolsas, necessaires, carteiras, mochilas, chaveiros, tiaras, chapéus, echarpes e até biojoias, tudo proveniente de sobras que teriam o lixo como destino.

O design e o acabamento das peças fabricadas realmente surpreendem pela delicadeza, beleza e perfeição. Para confeccionar os artigos, as redes de pesca são cortadas em fios e trabalhadas em crochê ou no tear manual. Já para o acabamento, as artesãs aplicam detalhes ornamentais como náilon e metal.

A história do Redeiras representa a importância do artesanato, tanto para aqueles que dele sobrevivem, como para o desenvolvimento socioeconômico de uma região. “O grupo já se reunia para confeccionar artesanato antes de formar o projeto propriamente dito. Cada uma criava sua arte, mas a partir de 2004 a coisa tomou um rumo mais sério”, conta Karine Portela Soares, representante do grupo. Neste ano, apoios importantes vindos da prefeitura da cidade, da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e de outras instituições proporcionaram às integrantes oportunidades de ampliação do negócio, com palestras, cursos e oportunidades de comercializar os produtos em feiras.

Brinco e pulseira feitos com escamas de peixes

Desde então, o negócio só prosperou. Em 2008, o Sebrae-RS incluiu o grupo Redeiras no projeto Artesanato Mar de Dentro, que visa o desenvolvimento das artes manuais na região Sul do estado e envolve 25 municípios. “Essa inclusão foi proporcionada pela gestora Jussara Argoud e possibilitou ao grupo desenvolver coleções assinadas pela designer Karine Faccin, além de propiciar acesso ao mercado”, explica Karine.

O bacana disso tudo é que, além de reciclar o que seria lixo, as artesãs participantes do projeto conseguem, com a comercialização de suas criações, uma fonte de renda extra para suas famílias, que detêm um baixo poder aquisitivo.

Atualmente, o Redeiras tem seus produtos em 19 lojas, distribuídas em nove cidades de sete Estados brasileiros. Se elas pensam em exportar? Essa é uma ideia muito próxima! Por meio de uma empresa dedicada ao comércio internacional de artesanato, as peças fabricadas pelas mulheres serão vendidas para diversos países por meio do seu site.


Bolsas são confeccionadas com redes de pesca



A parte financeira é organizada por uma planilha de custos detalhada, que levanta as despesas e o retorno de cada produto. A matéria-prima usada nas confecções é comprada com o dinheiro do caixa, que também é utilizado para bancar embalagens e demais despesas, como a participação em eventos. As artesãs recebem o valor correspondente a sua mão de obra e os produtos levam o nome da coleção.



O chapéu é feito com redes de camarão e
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