06/09/2011 | Pontos para a tecnologia
Atualmente, as máquinas de bordar
oferecem centenas de pontos, permitindo a produção de enxovais completos em
poucos minutos. A novidade pode garantir trabalhos diferenciados e aumentar o
faturamento de artesãos A bordadeira Rute Retalhos usou
bordados eletrônicos da Janome 10000 para decorar este kit de fraldas
Regina Loureiro criou
este kit de cozinha com o bluework da Memory Craft 350E, da Janome
Trilho de mesa de
Silvia Regina A. Lopes. Artesã optou por desenho composto na Artista 640,
da Bernina Vânia Massini usou pontos
decorativos para fixar apliques em toalha e suporte de papel
higiênico Regina Loureiro inovou
na técnica “work”, e apostou no colorido numa composição especial
Por Cynthia
Marafanti
Fotos Mônica Antunes | Produção Cristiane
Alberto
As máquinas
bordadeiras funcionam em parceria com o recurso gráfico. Um software de
computador faz a leitura da imagem e traduz o desenho em pontos de bordados no
tecido. Há uma infinidade de modelos e, de um modo geral, elas possuem algumas
sugestões de desenhos na memória interna. Mas você também pode incluir outras
imagens por meio de um pen drive.
O bacana é que para manusear essas
máquinas não é necessário experiência ou habilidade com artesanato, já que o
equipamento faz tudo praticamente sozinho. “Basta escolher o ponto, colocar a
linha e posicionar o tecido. Depois, caso seja necessário trocar o fio, a
bordadeira apita, avisando a substituição do material”, conta Vânia Massini, que
trabalha há 12 anos com bordados eletrônicos.
Entre as dezenas de benefícios proporcionados
pelas máquinas de bordar, vale a pena destacar a rapidez. “Enquanto uma pessoa
faz um bordado à mão em 3 horas, o mesmo trabalho pode ser finalizado, à
máquina, em apenas 10 minutos”, revela Claudia Takatsuka, gerente da Paulinia.
Diante de tanta facilidade, não é raro encontrar bordadeiras que montaram
verdadeiras confecções dentro de casa. “Eu tenho quatro máquinas de bordar, duas
máquinas de costura e uma máquina de pontos decorativos. Passo o dia
administrando o trabalho delas. Troco a linha, insiro os desenhos e monto as
peças. Não preciso de ajudante porque as máquinas são as minhas funcionárias”,
revela Rose Sanches, do ateliê Rose Bordados.
Rose começou nesse ramo há
quatro anos com uma máquina usada e boas ideias na cabeça. Depois de seis meses
fazendo testes e se familiarizando com o trabalho, ela passou a vender suas
primeiras criações. “Eram toalhinhas simples, artigos para enxoval bordados com
desenhos prontos, desses que vendem na internet”, revela. Um ano após adquirir
seu primeiro equipamento, a empresária comprou uma máquina mais moderna e deu
início ao seu negócio que, hoje, já recebe cerca de 10 mil encomendas por
mês.
Outras histórias de sucesso comprovam o valor
das máquinas de bordar. Regina Loureiro faz artesanato há mais de 20 anos, mas
foi há sete que ela aderiu a essa “maravilha” tecnológica. “Quando o patchwork
começou a ficar famoso, eu vi uma boa oportunidade de negócio. Além de
confeccionar artigos de moda e decoração, com o auxílio das máquinas, eu monto
blocos de redwork e os comercializo em ateliês. Então, as alunas compram para
montar as peças de patch”, conta a empresária, que lucra cerca de 300% em cada
trabalho.
Agora, para quem
pensa que os bordados à máquina não agregam valores por serem copiados, a artesã
Vânia Massini alerta: “O diferencial nesse mercado é o desenho. A máquina de
costura ajuda muito, mas é a sua criatividade que dá o tom ao trabalho. Eu, por
exemplo, desenho os riscos no tecido e, depois, vou guiando o trabalho na
máquina de costura para dar forma ao bordado. Fica diferente e conquista a
clientela”.
Custo x
benefício
É certo que comprar uma máquina de costura ou
bordado exige algum investimento inicial. Mas também é verdade que o negócio
rende bons frutos e um lucro significativo. De acordo com a empresária Rose
Sanches, em um ano é possível se capitalizar, pagar a máquina e fechar o balanço
com saldo positivo. “Muita gente sonha em trabalhar com o seu próprio negócio e
eu acho essa iniciativa muito válida. Mas é importante lembrar que a máquina de
costura não é mágica. Assim como tudo na vida, para montar um ateliê e obter
sucesso, é preciso tempo e dedicação. O mercado está em expansão, e basta
trabalhar direitinho para você tirar proveito desse bom momento”,
conclui.
Artesanato é
tendência
A graça do bordado está na perfeição dos pontos
aplicados em enxovais, artigos de moda e de decoração. Sem dúvida, os
coordenados de cama, mesa e banho ainda são os mais pedidos, mas são os artigos
para bebê as opções mais lucrativas. “Eu compro uma fralda por R$ 2, bordo com
alguma figura infantil ou o nome da criança. Depois de pronto, o trabalho é
vendido por R$ 35”, revela Rose.
Agora, se a pedida é unir os bordados ao
crescente mercado de lembrancinhas, a dica de Rose é confeccionar toalhinhas de
mão com as iniciais e a data do evento. Para se ter ideia, ela produz 50 artigos
em apenas quatro horas.
Mas se você quiser seguir na onda do patchwork, o
ponto haste, muito usado no redwork, faz sucesso nas prateleiras. “As estampas
do tipo loralie completam com muito bom gosto as bolsas, mantas, jogos de cama e
coordenados de banho”, conta Regina Loureiro.
Saiba como escolher a sua máquina de
bordar
Há máquinas de todos os tipos, gostos e bolsos. Umas
oferecem funcionalidades para costura com pontos decorados, outras permitem
traduzir qualquer imagem digital numa composição de linhas. E é claro que o
mercado também dispõe de modelos que reúnem todas essas funções em um único
equipamento. Indicar a melhor? Isso é tarefa complicada. Afinal, tudo vai
depender do seu objetivo e da sua expectativa.
As máquinas de costura são
mais baratas, custam cerca de R$ 2.000 e oferecem mais de 300 pontos
decorativos. Basta usar a imaginação para compor os trabalhos. Agora, se a ideia
é investir em tecnologia de ponta, exclusiva para bordar, há uma infinidade de
opções que ultrapassam R$ 10.000. Então, vale a dica: “Antes de comprar uma
máquina, procure conhecer a funcionalidade para saber se o modelo atende a suas
necessidades. Além disso, para quem está começando, o ideal é comprar um modelo
básico com as funções de costura e bordado. Assim, você poderá conhecer o
mercado e começar o seu negócio sem se endividar tanto”, explica a bordadeira
Rose Sanches.
De um ponto de vista técnico, outros critérios
implicam na decisão pelo melhor equipamento. “A pessoa deve checar a qualidade
da máquina, sua durabilidade e procedência. É muito importante verificar se há
garantia, assistência técnica e acessibilidade às peças de reposição. Muitas
vezes, as pessoas levam em consideração apenas o valor, o que ocasiona grandes
decepções, principalmente quando a máquina é usada para costurar materiais
pesados, como lona e couro”, ensina Claudia.
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